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Ainda é um bebé de berço, mas conseguiu superar um parto que é sempre complicado. Nasceu, na semana passada, para alegria de muitos e, com certeza, vai crescer e espalhar as suas qualidades pela cidade que a acolheu: o Porto!

Ócios é “uma revista de pendor cultural”, gratuita, que pretende valorizar “a diversidade de iniciativas e opiniões que sobrevivem na correria dos centros urbanos. Ócios pode ser encontrada num café, bar, banco de jardim ou de comboio, no percurso Porto-Aveiro.” Assim diz a editora e minha amiga Maria Vítor Mota, a quem felicito por este magnífico projecto.

“Queremos instituir o direito a tornar o tempo livre para conversar, ler, imaginar projectos sentidos e lançarmo-nos a eles. Tornar o tempo livre, dar ao ócio um novo sentido. Um sentido que nos permita ultrapassar a crise que vivemos, dentro e for de nós. Vivam as iniciativas em tempo de crise!” (Ócios)

Sonhar é acreditar. São os sonhos que transformam a realidade e impedem o conformismo, a rendição. Acreditar quando todos baixam os braços e desistem porque acham que não vale a pena. O tempo não pode ser perdido. Ainda temos direito ao ócio e enquanto assim for podemos mudar o nosso mundo, o pouco tempo que temos para nós.

Como diz a Maria Vítor, “porque ócio sem cultura é como um almoço de domingo sem companhia”.

Boas Novas 

Ver o telejornal significa, há muito tempo, espreitar os males do mundo. “O drama e o horror” que Artur Albarran apregoava parecem constituir dois critérios jornalísticos fundamentais na hora de seleccionar os factos que devem subir ao pódio noticioso. Generalizou-se a ideia de que dor e sofrimento são notícia e que o esforço das pessoas para os ultrapassarem não tem interesse jornalístico.

Com o objectivo de contrariar esta tendência global surgiu, em 2001, o projecto Buone Notizie . Nasceu em Itália sob a forma de uma página da internet. Como se pode ler no projecto editorial, o objectivo do site é “aprofundar e difundir as boas notícias sobre tudo aquilo que representa progresso sem regresso”. As notícias aparecem divididas em secções, que vão desde a sociedade ao desporto, passando pela informação internacional e o ambiente. São variadas, nem sempre “quentes”, mas com uma preocupação por “aprofundar a notícia” e não ceder à simplificação.

Os promotores desta iniciativa formaram, em 2004, uma associação sem fins lucrativos para servir de base a novos projectos que o sucesso do site despertou: a criação de um jornal em papel e a organização de encontros para discutir o papel dos media e da mensagem que veiculam. Para a equipa de Silvio Malvoti, presidente da associação cultural Buone Notizie, “o mundo não é assim tão bruto e malvado” como nos querem fazer crer.