Janeiro 2008


Uma mulher livre

http://www.candacedwan.com/Simone de Beauvoir (1908-1986) teria completado ontem 100 anos. Em França, a data foi assinalada com um Colóquio Internacional organizado pela psicanalista Julia Kristeva, com a edição de vários documentários e livros.

Nascida numa família burguesa de Paris, Beauvoir cresceu revoltada com a mediocridade dos valores defendidos pelo seu meio social. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Paris, tendo sido, aos 21 anos, a mais nova professora da época.

Simone foi companheira de Jean-Paul Sartre ao longo de 51 anos, embora nunca se tenham casado. Mantiveram uma relação aberta, tanto Simone como Sartre tiveram aventuras e romances mas conservaram a relação entre ambos. Helena Vasconcelos, no site Storm, diz que “uns defendem que Sartre é que foi o verdadeiro filósofo e intelectual e que Simone se limitou a seguir-lhe os passos; outros, pelo contrário, acham que ela é que foi a força motriz para as bases do pensamento existencialista. Ambas as leituras são redutoras e induzem em erro. Sartre e Beauvoir passaram anos e anos a trocar ideias, a estudar detalhadamente a obra um do outro e a influenciar-se mutuamente. Os acidentes e incidentes que lhes povoaram a vida foram objecto de discussão e análise em comum. Constituíram um desses casais extraordinários que se podem contar pelos dedos, na história da humanidade.”

Foi em 1949, ao publicar O Segundo Sexo (Le Deuxième Sexe), verdadeira Bíblia do feminismo, que Simone de Beauvoir se tornou conhecida no mundo intelectual francês, com a célebre frase: “Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres.” O livro analisa a situação feminina do ponto de vista biológico, sociológico e psicanalítico, as razões históricas e os mitos que fizeram da mulher um “segundo sexo”.

Na edição de ontem do Público, Ana Luísa Amaral dizia que “O Segundo Sexo antecipa, de forma admirável, o feminismo da chamada “segunda vaga”, que surgiria quase três décadas depois, com o movimento de libertação das mulheres a desenvolver-se, no final dos anos 60, a par de outros movimentos sociais de contestação, de carácter transnacional – as lutas pelos direitos cívicos, os movimentos estudantis, as preocupações ecossistémicas, a reivindicação, por parte das minorias, de uma voz e de um lugar que fosse seu.”

Em 1976, numa entrevista, Beauvoir acreditava que as mudanças pelas quais lutara não se realizariam durante a sua vida: “Talvez daqui a quatro gerações.”

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Após o sucesso da parceria de Terry Jones e Luís Tinoco em Contos Fantásticos, o Teatro São Luiz encomendou uma fantasia musical aos dois artistas:  Evil Machines, que estreia a nível mundial no próximo dia 12 de Janeiro.

“Num mundo em que as máquinas e os seres humanos podem comunicar entre si e partilhar as mesmas esperanças e aspirações, certas máquinas têm uma agenda diferente. O Melhor Aspirador do Mundo quer dominar sobre tudo e todos! A Senhora Morris, a senhora que o comprou, tenta que este regresse a casa e à limpeza das suas carpetes, mas este afugenta-a e o seu orgulho e sede de poder fazem-no inchar tanto, tanto, que rebenta, sem que o seu Inventor Diabólico possa fazer alguma coisa!”, conta Terry Jones.

Este projecto conta com a colaboração da Orquestra Metropolitana de Lisboa, Vin Burnham (figurinista premiada e  autora de figurinos inesquecíveis como os de Batman, Catwoman ou O Quinto Elemento) e Paulo Ribeiro (reconhecido coreógrafo português é responsável por alguns dos mais marcantes trabalhos da dança contemporânea portuguesa).

Evil Machines vai estar em cena de 12 de Janeiro a 3 de Fevereiro, na sala principal do Teatro Muncipal São Luiz, em Lisboa, terça, quarta, sexta e sábado às 21h00 e domingo às 17h30.