Dezembro 2007


A equipa do Epígrafe deseja a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

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Freud, Alfred Adler e outros psiquiatras igualmente reputados já tinham alertado para os perigos do perfeccionismo. Novos estudos corroboram os riscos psicológicos, como o esgotamento mental, daqueles que vivem na busca permanente da perfeição.  

“É natural que as pessoas queiram ser perfeitas em algumas coisas, por exemplo, no trabalho. Para ser um bom editor ou cirurgião é importante não cometer erros”, diz Gordon L. Flett, professor de psicologia da York University e autor de diversos estudos.

“A cultura da nossa sociedade valoriza e reforça muito as atitudes deles”, sublinha Alice Provost, conselheira assistente da Universidade da Califórnia. No entanto, para Gordon L. Flett, o problema começa “quando isso [perfeccionismo] se generaliza para outras áreas da vida, ou seja, a vida familiar, a aparência, os hobbies.” 

Alice Provost aponta alguns transtornos obsessivos compulsivos dos perfeccionistas: não suportam ficar diante de uma mesa desarrumada; acham quase impossível deixar um serviço por acabar; alguns dedicam uma quantidade absurda de tempo a refazer tarefas; procuram um ideal que só eles conseguem ver. “Aquilo que alguns deles consideram como fracasso é o que a maioria das pessoas não dá a mínima importância”, explica Provost.

Uma investigação inglesa concluiu que os europeus da Idade Média alimentavam-se melhor do que os de hoje, não obstante terem uma vida mais difícil. Os povos medievais trabalhavam uma média de 12 horas em serviços braçais, tinham de enfrentar doenças infecciosas provocadas pela falta de higiene, todavia consumiam “mais peixes, frutas, vegetais, grãos e especialmente muito pouco açúcar refinado”, segundo o site da Globo. 

Já os europeus actuais sofrem as consequências do estilo de vida moderno – ansioso e preguiçoso – “com muito mais produtos industrializados e muito menos esforço graças aos controlos remotos, escadas rolantes e elevadores”. 

Um cidadão medieval consumia em média 3500 calorias por dia, provavelmente o mesmo que os cidadãos ocidentais modernos, no entanto “o tipo de alimentação e nível de sedentarismo” eram diferentes.

Entrevista com Ricardo Salabert, do grupo FERVE: Fartos/as d’Estes Recibos Verdes

O FERVE é um grupo de pessoas que estão fartas de recibos verdes. De falsos recibos verdes. Lutam pela correcção de todos os vínculos laborais de prestação de serviços que substituem contratos laborais e remetem cada vez mais trabalhadores para situações de precariedade. A Administração Pública, de acordo com Ricardo Salabert, deve dar o exemplo de boas práticas contratuais, eliminando os falsos recibos verdes em função de contratos de trabalho, com todos os direitos que advêm dessa situação. Essa é uma das exigências que o FERVE levará à Assembleia da República em Janeiro do próximo ano, sob a forma de uma petição disponível no site do grupo. 

O que são os falsos recibos verdes? 

    É preciso, primeiro, explicar o que são os recibos verdes.
   
Os recibos verdes são um modelo de facturação aplicável aos trabalhadores independentes, i.e., às pessoas que prestam serviços ocasionais para entidades várias (empresas ou particulares). São exemplo disso os médicos, os arquitectos (entre outros) que podem passar recibos verdes aos seus clientes, não tendo de se estabelecer como empresa.
    Os falsos recibos verdes retratam os casos em que o trabalhador/a deveria ter um contrato de trabalho mas, em vez disso, passa recibos verdes à empresa para a qual trabalha.
    No Código do Trabalho (artigo 12º), está tipificada a presunção de contrato de trabalho: quando alguém tem de obedecer a uma hierarquia dentro da empresa, trabalha em local controlado pela empresa; quando a remuneração tem por base o tempo de execução e se está em dependência económica de empresa; quando os instrumentos de trabalho são propriedade da empresa; quando se presta o serviço à mais de 90 dias.
    É claro que há maneiras subtis de fugir a estes itens, mas existe a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que, desde 27 de Outubro, tem por missão o controlo do cumprimento das normas em matéria laboral, no âmbito das relações laborais privadas.

Os recibos verdes são uma prática generalizada?   

Infelizmente, sim! Os mais recentes dados apontam para perto de 900.000 trabalhadoras/es independentes, sendo que é um número que está em contínuo crescendo.
    Costumo dizer que o FERVE aceita trabalhar com todas/os os que querem acabar com este tipo de recrutamento de mão-de-obra e que o FERVE deve interessar a todos/as, pois a questão dos falsos recibos verdes é transversal a toda a sociedade.
    É importante fazer chegar a todas as pessoas que esta matéria não é exclusiva de um punhado restrito de profissões. Temos recebido, no nosso blogue testemunhos de advogadas/os que trabalham para um escritório ao qual têm de passar recibos verdes, passando por enfermeiros/as, professores/as (do ensino básico, de escolas profissionais), jornalistas, técnicos de análises clínicas, funcionários camarários, inspectores de higiene e segurança alimentar, administrativos, técnicos de vendas. Bem, basta escolher uma categoria profissional e consegue-se apontar um caso de falsos recibos verdes.

Que mudanças se deveriam promover para alterar a situação?     O FERVE está a promover uma petição com dois objectivos. O primeiro, que se reveja o enquadramento legal dos recibos verdes, uma vez que todos os partidos políticos com assento parlamentar são, neste momento, responsáveis pelo perpetuar das condições de precariedade inerentes à situação das pessoas que, por motivos diversos, se sujeitam a este tipo de recrutamento. O segundo objectivo, que se acabe com o recrutamento, nas entidades públicas (autarquias, empresas públicas, empresas de capitais públicos, etc.) de funcionários/as a recibos verdes e que sejam revistos os acordos que o Estado mantém com empresas privadas que utilizam estes métodos.
    Sei que há intenções de apresentar no Parlamento um regulamentação de mais direitos para quem esteja a trabalhar a recibos verdes, mas isso é só um passo, que não resolve a situação irregular e ilegal da substituição dos contratos de trabalho por contratos de prestação de serviços (trabalho a  recibos verdes).
    Os/as trabalhadoras podem utilizar vários métodos. Vou apenas enumerar algumas atitudes que se podem tomar, pois há várias condicionantes em todo este processo e, temos de ser realistas, um trabalhador/a é, por enquanto, o elo mais fraco da relação laboral. Desde a sindicalização, à não aceitação das condições propostas, passando pela denúnica à ACT (anónima ou não).
    Por outro lado, as empresas têm de se aperceber que funcionários/as motivados/as são mais produtivos que funionárias/os amedrontados. Como dizia o Zeca Afonso, “onde não há pão, não há sossego”, ou seja, uma pessoa que não esteja constantemente a temer pela continuidade do seu posto de trabalho terá mais prazer na sua actividade profissional e será, indubitavelmente, mais produtiva. Julgo que as teorias de John Forbes Nash, Jr. se aplicam bem ao mercado laboral e, de forma simplista, temos que: mais retorno terei se não olhar só para o meu lucro. Devo olhar para o equilíbrio entre o meu lucro e o bem-estar dos que me dão esse lucro.
Um dos aspectos em que temos de nos concentrar mais, apesar de já o estarmos a fazer, é promover o debate junto dos estudantes. Estudantes do ensino superior, que podem ver as suas expectativas de trabalho goradas, mas também junto dos estabelecimentos de ensino secundário, pois, infelizmente, muitos destes estudantes não dão continuidade aos estudos.

Que resultados esperam da parte do poder legislativo?    

    Há que entender que estas questões mexem com muitos poderes. Obviamente, mexe com o poder económico.
    Mexe, também, com o poder político. Como já disse, não há, neste momento, nenhuma força política com assento parlamentar que não seja responsável pela actual situação dos recibos verdes. Dizia o André Soares (um dos dois fundadores do FERVE), que nós não inventámos nada – os recibos verdes já existem há mais de uma década!
    A verdade é que, até agora, ninguém soube (ou quis) tocar no assunto.
    O FERVE (e os outros movimentos de precários) vieram também mexer com outra força de poder. Há organizações que, dizem, se batem pelos direitos dos trabalhadores, mas que só recentemente acordaram para a realidade e se aperceberam que recibo verde não significa, necessariamente, empresário.

Até quando podem as pessoas enviar as suas assinaturas? 

Até 27 de Dezembro (no máximo), podem ser enviadas assinaturas para o apartado que teremos até essa data.

Nuno Vaz, vencedor do 1º prémio de trompa da edição deste ano do Prémio Jovhttp://www.orquestradoalgarve.com/ens Músicos, vai tocar a solo com a Orquestra do Algarve, nos dias 14 e 15 de Dezembro, em Vila do Bispo e Tavira. O jovem trompista vai interpretar o Concerto para trompa e orquestra Nº 1 em Mi bemol Maior de Richard Strauss, sob a direcção do maestro Laurent Wagner. Este concertos realizam-se no âmbito do acordo entre a Orquestra do Algarve e a RDP, que tem permitido aos vencedores do Prémio Jovens Músicos participarem como solistas em concertos com a orquestra algarvia.

No domingo, dia 16, a Região de Turismo do Algarve promove um Concerto de Natal, no Pavilhão do Arade, em Lagoa, onde vão ser interpretadas obras de  Beethoven, João Antunes, Richard Strauss e Adolphe Adam. Além de Nuno Vaz, este concerto conta com a presença de três coros do Algarve: o Grupo Coral Ossónoba, O Grupo Coral “Tavira” e o Coral Ideias do Levante.

http://www.concertedefforts.com

Após a digressão pelo país com o seu novo disco Abril, Cristina Branco regressa na próxima segunda-feira, 17 de Dezembro, às 21h00, ao Teatro São Luiz em Lisboa, onde vai interpretar Zeca Afonso.

“Sem sentimentalismos, sem rodeios, como o Sr. José Afonso era. O Zeca, o nosso Zeca, porque faz parte do imaginário contestatário, do gira-discos, do canto amigo. O Zeca foi e será sempre um exemplo de simplicidade, de convicção (mesmo quando dizia que nem sempre gostava de cantar!). É assim o amigo da minha adolescência, o amigo do meu canto, da minha busca pessoal. Não trazemos nada de novo, vimos apenas lembrar”, diz Cristina Branco.

No site pessoal da fadista, é destacada a sua originalidade: “Cristina Branco está a criar um estilo: um grupo tradicional (voz, guitarra portuguesa, viola e viola-baixo); uma voz simultaneamente leve, quente e sentida; uma mistura de fados tradicionais, temas próprios e canções populares, sempre com o cuidado de escolher as palavras dos melhores poetas portugueses.”

André Sardet no Theatro Circo

O “Concerto de Natal do Clube Renascença” do próximo dia 14 de Dezembro, às 21h30, no Theatro Circo, tem como protagonista o músico e cantor André Sardet.

Com quatro álbuns editados, de que se destaca “Acústico”, André Sardet tornou-se conhecido pelos temas “Quando te falei de amor” e “Feitiço”. Ao longo deste ano, o cantor tem-se dedicado a uma extensa digressão nacional e também à luta pelo crescimento e afirmação da música portuguesa, tendo sido um dos principais impulsionadores de “100% de Música Portuguesa”, projecto que teve desenvolvimento em Coimbra, Lisboa, Beja e Santa Maria da Feira.

Sobre o projecto que gravou no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, e que, até à data, lhe garantiu o seu maior sucesso, com 100 000 exemplares vendidos, Sardet diz que “aproximar as músicas da sua essência e apresentá-las em formato acústico é ao mesmo tempo um velho sonho e uma forma de garantir a actualidade de todos os temas daqui a 10, a 20, ou 30 anos”.

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