A utopia das salas de cinema 

Não há salas de cinema em Cabo Verde, não obstante as várias tentativas para reavivar alguns espaços. Os cabo-verdianos estão, assim, limitados à televisão, ao vídeo e DVD. Na origem desta carência estarão a falta de apoio, de investimento, os problemas de bilheteira e a revolução digital, que afastou o público do grande ecrã. 

Em declarações ao programa Tribuna Cultural da BBC, os realizadores cabo-verdianos Leão Lopes e Júlio Silvão Tavares mostraram o seu descontentamento com esta situação. “Cabo Verde acabou por sofrer com a onda do desenvolvimento da tecnologia digital, que tornaram as grandes salas pouco rentáveis”, diz Júlio Silvão. 

Para Leão Lopes, antigo Ministro da Cultura de Cabo Verde, perdeu-se a “relação cultural e social com o cinema, sobretudo porque desapareceram as políticas de promoção, de fruição e produção ligadas a esta arte”. 

Segundo Júlio Silvão, “pelo menos na Cidade da Praia, está aberta ainda a discussão sobre o redimensionamento das salas existentes, nomeadamente da sala do Plateau”. No entanto, “não há programas educativos, não se ouve nenhum discurso público à volta da importância do cinema na educação dos jovens, nem na sua educação visual nem na sua preparação crítica para o que se passa hoje, onde o cinema pode ter um papel muito importante”.

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